Bicicletas e ciclovias
Mais uma vez, vem a constatação de que a cidade não tem a cultura da bike nem faz esforço algum para estimular a população a criar o hábito
Em um tranquilo domingo de junho, um casal chega pedalando suas bicicletas à porta de um restaurante, no Bairro de Lourdes. Com ele, duas crianças pequenas, acomodadas em cadeirinhas cuidadosamente instaladas sobre as barras. A menininha protegida pelo corpo da mãe, o menininho pelo corpo do pai. Uma cena bonita de ser vista por quem aguardava a vez de ocupar uma mesa no salão. Conversando com os presentes, o homem deixou claro que tinham percorrido apenas uma distância pequena desde o prédio em que moram, porque temem pela segurança das crianças e deles próprios ao circular perto dos carros.
Mas, de cara, um problema: onde estacionar as bicicletas? Está claro que jamais deve ter passado pela cabeça do dono do restaurante a necessidade de reservar ou criar algum espaço ou alternativa para os clientes que chegassem sobre bikes, pela simples razão de que quase ninguém vai almoçar pedalando na capital de todos os mineiros. Provavelmente, o empresário até se preocupa com a crescente falta de vagas para estacionar automóveis em qualquer região da cidade, mas bicicleta não faz parte de nossa cultura.
E a cidade dá um passo à frente e outro atrás. Ou dá o primeiro e ficam pendentes todos os passos seguintes. É digna de comemoração a decisão do metrô de permitir que ciclistas embarquem nos trens empurrando suas bicicletas. Mas depois vem a limitação: é somente no turno da noite. Isso quer dizer que, como meio de transporte para valer, a bicicleta ainda não foi considerada. Também, não é tão natural circular com o equipamento pelas estações e plataformas, que, ao serem projetadas, não consideravam essa possibilidade.
Aí, na edição de terça-feira, dia 28, a repórter Flávia Ayer mostra aos leitores do Estado de Minas que as minguadas ciclovias existentes na cidade estão sendo invadidas por automóveis, cujos motoristas devem achar um verdadeiro absurdo espaço tão nobre de uma rua como a Professor Moraes ser reservado a quem ousa andar pela cidade pedalando sobre duas rodas. Além dos carros, sacos de lixo e diferentes obstáculos dificultam a passagem das bicicletas.
Outra ciclovia, na Avenida Dr. Alfredo Camargo, em Venda Nova, o fenômeno já aconteceu há mais tempo e, segundo consta, até comerciantes locais procuram favorecer a reserva do espaço para seus clientes, mas os motoristas, não os ciclistas. Mais uma vez, vem a constatação de que a cidade não tem a cultura da bike nem faz esforço algum para estimular a população a criar o hábito.
É sabido que, para ocupar espaço, os ciclistas devem tomar a iniciativa, mas não dá para encarar os carros dirigidos por motoristas que teimam em não enxergar à sua frente (ou na lateral, ou pelo retrovisor) nada que não seja outro veículo automotor, grandão, do tamanho daquele que eles dirigem. O enfrentamento é desigual e não dá para enfrentar os automóveis, ônibus e caminhões e ficar exposto ao risco de virar notícia trágica.
Nas contas da prefeitura, a cidade tem 22 quilômetros de ciclovias e a previsão de implantar mais 18 quilômetros até o fim do ano. É um passo à frente e os seguintes são anunciados: 138 quilômetros até 2020. Se as metas forem cumpridas, dá para comemorar alguma coisa, mas é melhor não ficar empolgado ao festejar, porque vêm carros de todos os lados e os motoristas não enxergam pedestres ou ciclistas. É a ratificação maior do ditado: seguro morreu de velho.
Mas, de cara, um problema: onde estacionar as bicicletas? Está claro que jamais deve ter passado pela cabeça do dono do restaurante a necessidade de reservar ou criar algum espaço ou alternativa para os clientes que chegassem sobre bikes, pela simples razão de que quase ninguém vai almoçar pedalando na capital de todos os mineiros. Provavelmente, o empresário até se preocupa com a crescente falta de vagas para estacionar automóveis em qualquer região da cidade, mas bicicleta não faz parte de nossa cultura.
E a cidade dá um passo à frente e outro atrás. Ou dá o primeiro e ficam pendentes todos os passos seguintes. É digna de comemoração a decisão do metrô de permitir que ciclistas embarquem nos trens empurrando suas bicicletas. Mas depois vem a limitação: é somente no turno da noite. Isso quer dizer que, como meio de transporte para valer, a bicicleta ainda não foi considerada. Também, não é tão natural circular com o equipamento pelas estações e plataformas, que, ao serem projetadas, não consideravam essa possibilidade.
Aí, na edição de terça-feira, dia 28, a repórter Flávia Ayer mostra aos leitores do Estado de Minas que as minguadas ciclovias existentes na cidade estão sendo invadidas por automóveis, cujos motoristas devem achar um verdadeiro absurdo espaço tão nobre de uma rua como a Professor Moraes ser reservado a quem ousa andar pela cidade pedalando sobre duas rodas. Além dos carros, sacos de lixo e diferentes obstáculos dificultam a passagem das bicicletas.
Outra ciclovia, na Avenida Dr. Alfredo Camargo, em Venda Nova, o fenômeno já aconteceu há mais tempo e, segundo consta, até comerciantes locais procuram favorecer a reserva do espaço para seus clientes, mas os motoristas, não os ciclistas. Mais uma vez, vem a constatação de que a cidade não tem a cultura da bike nem faz esforço algum para estimular a população a criar o hábito.
É sabido que, para ocupar espaço, os ciclistas devem tomar a iniciativa, mas não dá para encarar os carros dirigidos por motoristas que teimam em não enxergar à sua frente (ou na lateral, ou pelo retrovisor) nada que não seja outro veículo automotor, grandão, do tamanho daquele que eles dirigem. O enfrentamento é desigual e não dá para enfrentar os automóveis, ônibus e caminhões e ficar exposto ao risco de virar notícia trágica.
Nas contas da prefeitura, a cidade tem 22 quilômetros de ciclovias e a previsão de implantar mais 18 quilômetros até o fim do ano. É um passo à frente e os seguintes são anunciados: 138 quilômetros até 2020. Se as metas forem cumpridas, dá para comemorar alguma coisa, mas é melhor não ficar empolgado ao festejar, porque vêm carros de todos os lados e os motoristas não enxergam pedestres ou ciclistas. É a ratificação maior do ditado: seguro morreu de velho.
Fonte: Estado de Minas

Criar uma nova cultura, mesmo que seja benéfica (caso em questão), requer um esforço tremendo da Administração Pública. Exemplo que pode ser seguido é o de Brasília onde os carros obrigatoriamente tem que dar preferência aos pedestres na atravessia das faixas distribuídas em toda a cidade. No início, o governo do DF colocou um policial, de plantão, em cada faixa de pedestre nas quadras bem como a mídia informava, nas propagandas e nos jornais da necessidade do respeito ao pedestre. Os carros que desrespeitavam a legislação de trânsito eram multados na hora! Com o tempo, os policiais foram sendo retirados e aquele ato que era estranho aos motoristas foi se incorporando ao cotidiano do brasiliense e, hoje, é motivo de orgulho, pois, é a única cidade brasileira em que os motoristas respeitam os pedestres!
Contudo, a Prefeitura de BH terá um trabalho maior que Brasília, pois, a fiscalização de 22 km, e em breve mais 18 km, requer um esforço tremendo. Mas fica então a dica que é possível modificar a cultura de cidadãos quando se intensifica a fiscalização e a cobrança para um bem comum e maior!
Com certeza tem como mudar a cultura do nosso povo, não será fácil, claro. Precisamos de fiscalização da prefeitura de BH para que a ciclovia não seja mais uma obra sem dar benefício a população. O espaço para as bicicletas será uma forma de desafogar um pouco, pelo menos, o trânsito de Belo Horizonte, criar hábito saudável e diversificado para o belorizontino, além de contribuir para o meio ambiente. Precisamos divulgar essas novas ciclovias e se a prefeitura não colocar fiscalizadores, nós, cidadãos, poderemos ser os próprios fiscalizadores! Quem não respeitar, denunciamos!
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